Se antes o segmento varejista era apontado como pouco afeito a investir em soluções avançadas de Tecnologia da Informação, agora o cenário é outro. O Varejo está em plena temporada de avaliação e busca de novos produtos e serviços. Isso por conta de três fortes movimentos: o e-commerce, a mobilidade e o showrooming.

O fenômeno do Varejo virtual é o mais avançado e vem ditando as regras do retail tradicional, forçando a renovação dos ambientes tecnológicos na busca de soluções mais arrojadas. De acordo com os últimos dados registrados pelo E-bit, as vendas online movimentaram cerca de 12 US$ bilhões nos seis meses deste ano, alcançando um crescimento de 24%.

O uso da mobilidade, principalmente pelos consumidores, também leva os lojistas a rever seus modelos de atendimento e investir na multicanalidade. Hoje, de acordo com a Anatel, o Brasil tem 267 milhões de celulares espalhados por todo o País. Entre janeiro e março, por exemplo, foram vendidos 14 milhões de celulares, dos quais 5,3 milhões eram smartphones, os dispositivos mais utilizados para consulta e vendas na internet.

O showrroming é o mais recente fenômeno e consequência dos dois primeiros. No momento em que o consumidor dispõe de novos canais de consulta e compra, unindo internet e mobilidade, a loja física deixa de ser necessariamente um local de venda e torna-se muito mais um ambiente de experimentação. Nessa hora, contam ponto o atendimento diferenciado, a consultoria e a conveniência e não obrigatoriamente a venda pura e simples.

O efeito colateral do showrooming são as facilidades da consulta e venda online, que podem levar o cliente até a loja física não necessariamente para efetivar uma compra, mas apenas para ter contato com o produto. Nessa hora, vale a capacidade de fisgar o consumidor, o que pode ser feito até pelo concorrente, o que é mais ameaçador. Empresas como Amazon, por exemplo, já têm utilizado o recurso para garimpar consumidores dentro da loja física do concorrente.

Para atingir esse nível de atendimento, entra em cena um arsenal de soluções que vão desde sistemas de inteligência analítica até tecnologias de rastreamento e identificação, via dispositivos móveis e redes sociais. Diante dessa perspectiva, o varejo que não acompanhar a demanda desse novo consumidor, conectado e mais exigente, pode perder o cliente dentro ou fora de sua loja. Como reagir a essa solicitação, está movimentando o setor e levando os varejistas a avaliar opções de acordo com o segmento em que atuam e o porte do negócio.

No mês de maio, a Decision Report reuniu CIOs e executivos de diversas áreas para discutir esses e outros temas durante o Congresso e Exposição TI & Varejo. Em geral, o resultado dos debates mostrou que todos os varejistas estão avaliando soluções mais arrojadas e que possam fazer a diferença no dia a dia. Entre as campeãs de audiência estão os sistemas analíticos, aplicações de mobilidade, soluções de integração entre varejo físico e virtual, mobile commerce e redes sociais.

Independente do caminho a ser adotado, o consenso é que o maior desafio está em utilizar a TI de maneira mais simples, eficiente e menos complexa e onerosa. Talvez o Varejo, com sua dinâmica, margens apertadas e proximidade com os consumidores finais, seja efetivamente o segmento que promoverá a grande transformação que se espera da TI, trazendo flexibilidade, agilidade, menor complexidade e custos reduzidos no uso dos recursos tecnológicos. Dá para apostar, que além do segmento bancário e industrial, o Varejo será, em pouco tempo, uma excelente vitrine do que existe de mais avançado e prático em termos de tecnologia da informação.

Fonte: Decision Report